terça-feira, 22 de junho de 2010

Doces e aniversários



Neste mês de junho eu e meu companheiro fazemos aniversário. E quando se trata de bolo de festa, a Doceria Chantilly nunca decepciona. Super aconchegante e cuidadosamente decorada, a doceria está um uma das ruas mais movimentadas da cidade, sendo difícil até mesmo estacionar pertinho dela. Mas isso não é problema para os amantes de doces, pois ela vale todo o esforço.
No meu aniversário, fui presentiada com o Bolo Mousse de Chocolate e neste domingo cantamos parabéns para o Daniel com um Bolo de Carolinas Trufado. Difícil dizer qual é o melhor.
Todos os doces da Chantilly são de tirar suspiros, mas vale ainda destacar a Bomba de chocolate Trufada, que supera todas as expectativas. Nem muito doce, nem muito salgada com massa que derrete na boca ela e a combinção perfeita de fondant e trufa meio amarga.
Eles ainda trazem uma série de opções de embalagens para presentes e trabalham com encomendas completas para festas, pois o que eles tem de bom nos doces se repete nos salgadinhos para alegrar a comemoração.
Vale a pena conferir e se deliciar com as maravilhas feitas na Doceria Chantilly!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gnocchi de mandioquinha

Para este frio uma massa é a pedida perfeita... Em uma dessas noites frias visitamos o bixiga para um jantar mais que romântico e mais que especial. A Cantina Roperto é o lugar ideal para deliciar-se com uma massa feita com todo cuidado italiano e um ambiente para namorar ao melhor estilo "A dama e o vagabundo" que alguém possa imaginar!
A casa lembra o espírito siciliano com a simpatia dos garçons e a intimidade do atendimento. É um lugar para se comer bem, com requinte, mas sem frescuras.
Pedimos um vinho e a entrada: Um pão italiano maravilhoso com patês e queijos que por si só já poderiam ser uma refeição. Nosso pedido foi o gnocchi de mandioquinha ao molho quatro queijos. É até difícil descrevê-lo pois ele derrete muito rápido na boca. Uma massa leve, gostosa, feita quase ao ponto de tostar o molho... simplesmente uma delícia.
Ao visitar o bixiga, não deixe de prova a Cantina Roperto, mas chegue cedo, pois a fila de espera é grande e a casa é concorrida até pelos famosos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Feijoada de carne Vegetal

Quem quiser comer o que eu vou postar aqui vai ter que viajar... Porque a minha dica é de um lugar muito especial, em São Francisco Xavier (interior de São Paulo). A pousada A Rosa e o Rei é, sem dúvida, o lugar mais especial em que já me hospedei. Meus amigos sabem que eu e meu companheiro temos o hábito de viajar com frequência e conhecer novos lugares. E esse é, sem dúvida, muito especial.
O lugar hospeda com pensão completa e é um verdadeiro encontro com a Natureza e com a gastronomia. De culinária ovo-lacto-vegetariana, a cozinha surpreende até os carnívoros mais fervorosos.
O que mais me deliciou e chamou atenção foi a feijoada do local. Nunca imaginei que fosse comer uma feijoada de carne vegetal e preferir do que a de carne "convencional". Ponto para meus amigos vegetarianos: é sim possível uma comida com sabor de carne sem levar os porquinhos para abate. Uma delicia de repetir o prato, e o que é melhor: a feijoada vegetal não tem gordura. Limpinha e super-saborosa.
Se você não quer viajar até lá, procure um restaurante vegetariano e prove. Ainda não posso indicar nenhum, mas feijoada vegetal eu indico!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Acabaram as férias em estilo japonês


Depois de muitas visitas a diferentes lugares experimentando coisas novas voltei das férias do blog. Deixo para vocês hoje uma dica que muita gente torce o nariz para experimentar. Há alguns anos a comida japonesa caiu no gosto dos paulistanos e já são centenas de casas especializadas que oferecem seus pratos exóticos para cativar o paladar dos mais ousados aos mais tradicionais. A minha visita nesta última semana ao novíssimo Tatsuya Sushi ( que ainda não possúi web site, mas está aqui em Santo André, na Av. Dom Pedro II, 2081) me levou a uma ótima experiência.
A casa é pequena, com uma decoração muito simples, mas a comida é o que vale realmente a visita. Tanto os cortes do atum quanto os do salmão são impecáveis e o sashimi de polvo é algo que merece degustação. Para os que não gostam da textura do peixe crú o polvo agrada, pois sua carne é mais fibrosa e consistente e o sabor é delicioso.
Para além do sashimi de polvo, a dica é pedir o Hot-Holl que é especialmente bem feito. Sequinho, grande e muito recheado, ele dividiu minha noite com o sahimi de polvo como as estrelas da casa. Tudo é gostoso, mas estes são imperdíveis.
E mais uma coisa: para os que ainda acham a comida japonesa um passeio caro, o Tatsuya Sushi oferece o rodízio para casal por 55 reais (não incluindo bebidas). Garanto que vale a pena!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Maracafé

Um dos locais que mais frequento durante o período letivo é o Quinta do Café. Lá as mocinhas sempre simpáticas te chamam pelo nome, sabem sua comida predileta e do que você não gosta também. Talvez seja pela minha constante aparição neste refúgio para um almoço tranquilo, mas eu desconfio que este tratamento v.i.p. seja dado a todos que frequentarem o local com um sorriso.
Localizado no bairro Santa Paula, em São Caetano do Sul, a casa oferece uma grande variedade de cafés e petiscos, lanches e almoço todos os dias. Sucos feitos na hora com muito gelo para os dias de calor e cafés e chocolates variados para os dias frios. Além das refeições e das tortas salgadas ( que vale destacar a deliciosa torta de frango com catupiry) o Quinta do Café oferece maravilhosas tortas doces e docinhos por encomendas para alegrar também a sua casa. O lugar é uma ilha de tranquilidade em meio às ruas movimentadas pela saídas de escolas dos arredores. Vale a pena conferir e ser bem tratado pelas delicadas atendentes.
Minha dica para você do Quinta do Café é uma explosão de sabor exótico. Quando vi a foto na parede do drink de café perguntei pelos ingredientes. Ao ouvir que o Maracafé era feito de sorvete de chocolate, suco de maracujá e café expresso não acreditei que a combinação pudesse dar certo... Mas a minha curiosidade é enorme e, fui experimentar. O drink chegou super gelado, decorado com raspas de chocolate e chocolate em pó. O visual convidava e o sabor foi surpreendente: uma mistura entre o azedo, o amargo e o doce que só provando para entender. Quem está pronto para uma nova experiência de paladar deve ir ao Quinta do Café e pedir o seu!
(Como a casa não possuí site oficial, deixamos o endereço para você conferir: Rua Rafael Correia Sampaio, 1090 Bairro Santa Paula, em São Caetano do Sul)

Tríade Onion Rings

Minha primeira dica foi escolhida com muito carinho. Para que o prazer de comer seja completo, não é apenas o sabor que conta. O ambiente, a companhia, o atendimento, tudo isso é essencial para o conjunto da obra. E no Tríade Pub encontrei todos esses elementos que produzem uma casa que revela-se um local para vivenciar momentos e sabores surpreendentes.
Aberto a pouco tempo, o Tríade Pub oferece uma decoração de excelente gosto e um atendimento que merece destaque. Não houve uma vez que estivesse no local e que os garçons ou mesmo os responsáveis não se aproximassem à mesa para verificar se estava tudo a contento. A atenção aos visitantes já é de dar água na boca. A casa conta também com uma enorme carta de cervejas (mais de 70 rótulos!) e um cardápio bem equilibrado entre porções, saladas, lanches e bebidas. (Vale lembrar que os apreciadores de Rock se sentirão em casa.)
A dica que deixo a vocês, para além do local aconchegante é a porção Tríade Onion Rings. Para quem gosta de anéis de cebola, este é o lugar: crocantes por fora e macias por dentro, sequinhas... são um encanto para o paladar. E não bastasse o tempero e a forma ideais, elas chegam acompanhadas de um molho barbecue que completa a sensação.
Quando estiver em São Caetano do Sul, não deixe de provar as cebolas do Tríade Pub e se apaixonar pelo local.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Comer bem e ser feliz

Este blog nasce com um desejo: fazer você ser mais feliz. Trabalho com crianças, estudo filosofia e tudo isso me dá muito prazer. Mas, apesar de não ser uma grande chef, comer está entre as primeiras coisas que me inspiram e me dão prazer nesta vida.
Espero que as postagens que seguirem esta ajudem você a encantar sua língua e estômago, fazendo de você um novo hedonista neste prazer tão delicioso que é o paladar.

Para iniciar bem minha caminhada nesta trilha de gostosuras, deixo à você um texto brilhante de Rubens Alves que ilustra as minhas vontades com a comida. Boa leitura!

A festa de Babette

Rubem Alves


Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. é verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que vêem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, vêem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos vêem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranqüilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.

Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).

Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.

Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...


O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora.